Streamlines: as linhas da modernidade

stream: fluxo, corrente
lining: alinhar, sinalizar, demarcar

O Streamlining foi uma tendência que marcou, principalmente, as décadas de 1930 e 1940. Inicialmente as formas arredondadas e aerodinâmicas foram aplicadas a trens, automóveis, aviões e bicicletas, com o objetivo de aumentar velocidade e potência.

A bicicleta do futuro (de baterias), projetada por Ben Bowden, foi exibida na seção "Design for the future" da exposição "Britain can make it", em 1946.
A bicicleta do futuro (de baterias), projetada por Ben Bowden, foi exibida na seção “Design for the future” da exposição “Britain can make it”, em 1946. A Grã-Bretanha arruinada durante o pós-guerra não teve condições de viabilizar a bicicleta de Bowden.

Logo, uma diversidade de objetos passaram “a sofrer um arredondamento e/ou alongamento assimétrico das formas, às vezes com a aplicação superficial de nervuras estruturadas na horizontal, remetendo claramente às linhas de força das histórias em quadrinhos”. É o que conta  Rafael Cardoso em Uma introdução à história do design. E é o que é possível conferir em apontadores, ferros de passar roupa, rádios, aspiradores de pó e na famosa geladeira Coldspot, projetada por Raymond Loewy em 1934.

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Imagens do episódio “Glamour’s Golden Age”, da BBC. Inspiração nos quadrinhos para expressar velocidade.

A inspiração das linhas que iriam traduzir os ideais técnicos e simbólicos da época vinha da natureza, sobretudo de princípios da física. O filme “Streamlines” da Chevorlet, de 1936, apresenta a partir de vários exemplos o conceito por traz das formas pontiagudas e longilíneas. Como explica o narrador – “todo bom mergulhador sabe que é preciso cortar a resistência da água, assim como um peixe se move pela água sem notar o oceano”.

Mas qual o motivo de aplicar princípios de aerodinâmica em objetos cotidianos, que não se moviam para lugar algum? Bem, a velocidade foi central para época e estava associada aos ideais da vida moderna. Modernidade e velocidade eram então valores importantes a serem incorporados, tanto nos artefatos que se beneficiavam de configurações formais para aumentar seu desempenho, quanto nos que apenas expressavam e promoviam o estilo de vida do momento.

A revista Modern Mechanix, de julho de 1934, apresentou o apontador projetado por Raymond Loewy, “o bem conhecido designer de automóveis e equipamentos de escritório”. Segundo o texto, apesar de menor que modelos convencionais, o apontador de Lowey seria eficiente e mais fácil de usar, com um design que confere modernidade ao pequeno artefato.

Referências

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